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Adeus ao Rei das Pistas
por Gustavo Grohmann
24/10/2006

Domingo (22/10), após quase 13 anos, sentei novamente em frente à TV para acompanhar “de ponta a ponta” mais uma vitória brasileira na Fórmula 1, coisa que eu, particularmente, não via desde o GP de Adelaide, na Austrália, no dia 8 de novembro de 1993, quando Senna subiu ao lugar mais alto do pódio e “comemorou” o vice-campeonato mundial (o campeão daquele ano foi o francês Alain Prost, que conquistou seu quarto título somando 99 pontos no final da temporada – Senna somou 73).

Não sou “expert” em automobilismo e nem torcedor das famosas arquibancadas de madeira, longe disso, mas me senti como um deles nesse domingo. Questionei as “novas” regras, exaltei a conduta desse ou daquele piloto, admirei a fria pilotagem de Alonso e vibrei muito com o triunfo de Felipe Massa, afinal, um brasileiro não vencia em Interlagos desde Ayrton Senna, em 1993, naquela inesquecível prova, invadida pela torcida após a bandeirada, em que ele aplicou o espetacular “drible do carro” em Damon Hill.

Mas o que me encheu os olhos foi o show de pilotagem que nos propiciou Michael Schumacher em sua última corrida, pelo menos pela Fórmula 1. Torci para o alemão, de alguma maneira, conquistar seu oitavo título mundial, pensando que assim poderia fechar a vitoriosa carreira com chave de ouro. Mas me enganei. Schumacher é tão competente que mesmo sem subir ao pódio obteve seu gran finale com uma maravilhosa corrida de recuperação após ter um de seus pneus estourados.

Minutos antes da largada, ao ver Pelé homenageando Michael Schumacher, lembrei de algumas palavras que ouvi, anos atrás, sobre o alemão: “O Schumacher é gênio. Ele não só é melhor que o Senna como é melhor que qualquer piloto que já apareceu”, me “confidenciou” Ricardo Montesano, amigo, companheiro de profissão e, sobretudo, apaixonado por automobilismo.

Schumacher, todavia, não tinha chegado ao sexto título mundial e nem batido todos os recordes da categoria como o fez nos anos que vieram. Hoje vejo que Ricardo estava com a razão e o alemão fez questão de não deixar dúvida sobre o assunto.

Mas grande parte dos brasileiros não pensa assim. Talvez pelo modo trágico como Ayrton nos deixou somos um pouco “argentinos” quando o assunto é Schumacher x Senna. O mundo e as estatísticas dizem que Pelé é o maior jogador de futebol de todos os tempos, mas “nuestros hermanos” continuam dizendo que esse lugar é de Maradona. Assim como o mundo reconhece a majestade de Schumacher e grande parte de nossos compatriotas ainda considera Ayrton Senna o primeiro.

Senna está na galeria dos maiores da Fórmula 1, sem sombra de dúvida, além de estar no coração de cada brasileiro. Mas sejamos racionais, afinal contra os números de Schumacher não há nenhum tipo de argumento. Ele é sim o Pelé, o Michael Jordan, o Pete Sampras e o Tiger Woods da Fórmula 1.

Adeus Michael Schumacher, o Rei das Pistas, e muito obrigado por resgatar minha admiração por algo que já não considerava mais um esporte. Em relação a Felipe Massa, um “até breve” está de bom tamanho!

Fale com o colunista: g.grohmann@ig.com.br

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