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2010 - A última chance!
por Gustavo Grohmann
22/12/2006

É incrível como Ronaldinho Gaúcho tem a capacidade de me deixar maravilhado e decepcionado em um intervalo de tempo tão pequeno. O cara é capaz de fazer jogadas geniais em um dia e no outro não acertar um passe de três metros.

Antes do Mundial da Alemanha cansei de exaltar o “futebol arte” do gaúcho e cheguei até a afirmar que se ele fizesse uma copa extraordinária estaria no mesmo patamar que o argentino Maradona.

A copa veio e para a surpresa do mundo Ronaldinho não jogou nada (aliás, ninguém do Brasil jogou). Aí eu passei a pensar: “Qual a razão de nunca demonstrar na seleção o mesmo futebol do Barcelona?”, esquecendo-me da apagada partida do brasileiro na final da Liga dos Campeões, contra o Arsenal (o gol do título do Barça foi marcado pelo lateral Beletti).

Com o passar dos meses, a pífia campanha do Brasil na Alemanha foi sendo esquecida e Ronaldinho voltou a mostrar seu futebol de craque, levando o time catalão à liderança do campeonato espanhol. Belos passes, lançamentos e dribles, gols de falta, “Bola de Ouro” da respeitada France Football e até um golaço de bicicleta colocaram o gaúcho como um dos favoritos da imprensa para o título de melhor do mundo na eleição da FIFA (o zagueiro italiano Cannavaro foi o escolhido).

Então chegou o Mundial de Clubes, organizado pela entidade máxima do futebol, onde todos esperavam que o Barcelona fosse levantar o caneco. Ronaldinho Gaúcho “acabou com o jogo” contra o América do México (4 a 0, fora o baile, como diriam antigamente), na semifinal do torneio, e o favoritismo azul-grená na final, contra o Inter de Porto Alegre, era evidente.

É claro que o técnico Abel Braga e seus comandados colorados jogaram o famoso “jogo de suas vidas”, mas nada que o “suposto” melhor do mundo não pudesse enfrentar, com seus dribles, toques rápidos e golaços, certo? Errado! Mais uma vez Ronaldinho Gaúcho não jogou bem. Não foi nem sombra do jogador da partida anterior contra os mexicanos e o Barça perdeu o segundo título mundial de sua história (em 1992 foi derrotado pelo São Paulo, de virada, por 2 a 1).

Lembrei-me da fraca atuação contra o Arsenal, na final da Liga. Lembrei-me da ridícula participação do atacante nos jogos do Brasil na copa. Somei com o jogo contra o Inter e cheguei à seguinte conclusão: ou é muita coincidência ou Ronaldinho Gaúcho tem problemas em partidas decisivas, quando seu melhor futebol é exigido!

Vou esperar até a Copa de 2010 para dar meu “parecer final” sobre o assunto. Mas já aviso de antemão: se ele não jogar tudo que sabe na África do Sul e levar o Brasil ao hexacampeonato mundial, não entrará na lista dos 20 melhores de todos os tempos. Pelo menos, na minha!

Fale com o colunista: g.grohmann@ig.com.br

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