Corinthians é Brasil!
por Gustavo Grohmann
21/07/2006
Não tem discussão, realmente futebol é um negócio apaixonante! E tem gente mais doida e instável do que torcedor? Em um instante o time está uma porcaria e todos devem ir para a rua. No minuto seguinte, após o gol salvador, a equipe é reverenciada como a melhor do mundo. É grito, é choro, é uma explosão de alegria que só quem é apaixonado por esse esporte consegue entender. E no dia seguinte, já no trabalho, tem a famosa gozação com o colega da equipe adversária, chegando ao absurdo de comparar o time de coração com a seleção nacional. Vou confessar que, atualmente, concordo com parte dessa massa que compara, de brincadeira ou não, seu time com a seleção brasileira.
Hoje, o Corinthians está muito parecido com a equipe que Carlos Alberto Parreira dirigiu, de maneira ineficiente, diga-se de passagem, na Copa da Alemanha. O time não tem comando e fica a impressão de que os atletas fazem o que querem. A direção do clube é uma piada de extremo mau gosto e ninguém sabe ao certo quem dá as ordens. Jogadores considerados de alto nível, como Roger, Carlos Alberto, Gustavo Nery, Ricardinho e Mascherano, contratados a peso de ouro pela MSI, simplesmente esqueceram como se joga futebol.
Sem falar nos privilégios dados ao argentino Carlos Alberto Tevez, que a todo o momento passa por "problemas pessoais" e é liberado para resolvê-los. Se o cara não considera o possível rebaixamento do Corinthians um problema pessoal, com o que ele se preocupa? E teve gente questionando se Tevez já atingiu o patamar de Marcelinho Carioca ou Sócrates no coração da torcida alvinegra...
Não sei o que mais me espanta nessa história toda. A passividade da diretoria corintiana diante da uma campanha desastrosa no Brasileirão, a dificuldade encontrada por Kia Joorabchian e seus comparsas milionários em fecharem boas contratações ou as absurdas brigas de ego entre presidência do clube e MSI. Ainda não consegui definir.
Talvez, a maior indignação seja com a falta de comprometimento dos atletas para com o esporte em si. Ganhar jogos e competições passou a ser mera conseqüência de anúncios comerciais, namoradas famosas, carros importados, festas e estilos de cabelo. O comprometimento com a paixão do torcedor é zero, assim como foi o da seleção com o povo brasileiro. A massa corintiana deve estar se sentindo como os 180 milhões de otários que perderam seu tempo torcendo e acreditando que alguns atletas milionários estavam representando o país.
Pela primeira vez, darei razão aos fanáticos torcedores. Se algum corintiano me abordar e relacionar o futebol de sua equipe com o da seleção nacional, vou concordar e responder: "Nunca vi o Corinthians tão parecido com a seleção brasileira. Infelizmente!".
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