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Retrocesso no futebol
por Gustavo Grohmann
10/07/2006

Em ano de copa do mundo a expectativa dos amantes do esporte mais importante do planeta é enorme. Aqueles de situação financeira privilegiada já estão com seus ingressos comprados e com os pacotes de hospedagem fechados, seja onde for o Mundial. Os de menor renda contentam-se em assistir aos jogos de suas casas, onde organizam churrascos e reuniões com os amigos, ou de bares e restaurantes, que transmitem as partidas em gigantescos telões.

O torcedor espera da Copa os melhores jogadores do mundo na melhor forma possível, driblando, lançando e, principalmente, fazendo gols. O brasileiro, em especial, se prepara para ver espetáculos de craques nacionais com a bola nos pés, principalmente quando conta em sua seleção com atletas do quilate de Kaká, Juninho Pernambucano, Adriano, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, escolhido nos últimos dois anos o melhor do mundo.

E é por tudo isso, que afirmo que a copa do mundo da Alemanha foi um fiasco total, uma decepção completa. Não em relação à parte organizacional, que esteve praticamente impecável (salvo algumas invasões de campo que nós, dominados pelo chamado "complexo de vira-lata", deixamos de noticiar com o fervor que o faríamos se ocorressem aqui no Brasil). De maneira alguma! Mas do futebol apresentado, principalmente pela seleção brasileira, decepcionante no aspecto ofensivo. Como disse Mauro Beting, "foi uma copinha chinfrim".

Todavia não me conformo com o futebol (ou a falta dele) apresentado pela seleção nacional, mas deixo isso para uma próxima oportunidade. Falemos então da final do Mundial. Vocês notaram que França e Itália tinham apenas um atacante em campo (Toni, pela Azurra , e Henry, pelos Bleus )? No banco dos franceses estavam Trezeguet, Govou e Wiltord, enquanto Marcello Lippi contava com Del Piero, Iaquinta, Inzaghi e Gilardino. Mas os técnicos preferiram abrir mão do ataque e reforçar a defesa para não sofrer gols. Vale ressaltar que era uma final de copa do mundo, a competição esportiva mais importante do planeta.

Os números falam por si só. Dos 64 jogos, 15 terminaram empatados (sendo sete por 0x0, um recorde na história das copas) e 13 com vitória pelo placar mínimo. Com 147 gols marcados, a competição teve a segunda menor média da história, (2,3 gols por jogo), perdendo apenas para a Copa da Itália, em 1990 (2,21 por partida). Realmente, uma "copa defensivista".

Pela baixa média, a Fifa estuda mudanças no tamanho das traves e talvez na regra do impedimento, tentando aumentar o número gols e trazer mais emoção à competição. Talvez o que a entidade máxima do futebol deveria fazer era mudar a mentalidade dos técnicos, que priorizaram o zero em seu placar e não o dois, três ou quatro no placar adversário. Um verdadeiro retrocesso no futebol mundial.

Que saudades do 3 a 3, 6 a 4 e 5 a 0. Que saudades dos contragolpes em bloco, com três, quatro ou cinco atacantes. Que saudades do futebol bem jogado, buscando o gol a todo o custo, e não daqueles que tratam o ponto máximo do jogo como um mero detalhe. Queria eu ter nascido antes e visto aquele Santos 7x6 Palmeiras, no dia 7 de março de 1958, no Pacaembu. Queria eu não ter visto mais uma final decidida nos pênaltis após 120 minutos de defesas bem postadas e ataques medrosos. Sorte que não sou um dos que tem uma situação financeira privilegiada e acompanharam de perto, ao vivo e a cores, a demonstração daquilo que não deve ser o futebol!

Fale com o colunista: g.grohmann@ig.com.br

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